19.7.06

Vida que segue

Não sei o que a vida espera de mim
Mas o que espero é tanto
Que talvez, muitas vezes, ela se entristeça
Por não poder me atender

Eu me revolto contra ela e
Ainda assim ela continua a se dar

Em desespero, às vezes, atento contra mim
Mas ela se faz presente
E em minhas veias continua a fluir

A vida me ama tanto
E sempre me esqueço
Ela pede a todo instante por mim
E nem sempre atendo

Por mais das vezes, ela clama
Por ser acreditada
Mas meus olhos cegos
Trazem a nós sofrimento

Ainda assim ela se faz forte
E me dá provas, a todo momento
De como querida sou

A cada vez que algo me toca no profundo
Me mostrando seu valor

Quando ela dá uma virada e me faz crer
Que tudo é possível
Que tudo pode mudar

E assim sigo junto a ela
No conforto e desespero de sua companhia.
Hoje andando pela cidade
Me esquecido havia
Das lembranças que a habitam

É porque esta noite me faz romântica
E a bebida me torna poética
Que nem me importo com o que é impróprio
Pois nesta hora tudo se cabe.

O passado é apenas uma palavra
Sem peso ou significado
Porque aqui neste bar
Sou a noite

Sou o sonho que sonha mais do que pode
Mas que ainda assim se faz possível
E chega até a parecer real
Porque dentro de si
há um canto de verdade

E este pouco me basta
Para eu ser este todo que me habita
ainda que múltiplo e facetado

Pois agora é só oque existe
Isto que nem se explica
E nem mesmo se pretende
Apenas existe.

14.6.06

Desilusão

Até que ponto vale?
Aquela que, embora não seja certeza
faz-se esperança?

Talvez boba e ingênua
talvez pura e profunda
Ou tudo e mais

É algo de tão belo que
a questão não é o ponto
e sim o que vale?

A proporção da morte?
O quanto de vida trará?
O ideal não pertence a esta vida!
E me machuca.

Será no fim...
Algo que, no mais um momento?
Uma imagem em construção ruindo

Talvez sim, e este sim não seja tão mal,
mas talvez este mal escureça
e talvez nunca se esqueça
de forma a não mais brilhar

Há olhos porque a luz existe
e de que serve o coração
se o amor não reside?

E se o corpo é só invólucro?
Porque na alma dói?
Porque buscar o sonho
se o conforto vem do real?

E verdadeira questão é...
Por que acredito?
Se tudo já foi desdito?
É por ter pressa.
por não saber esperar,
não as filas ou a qualquer sentido de estância
não suporto sentir o tempo passar

Tudo imediato
sem construções e projeções futuras
o tempo é agora
sem imagens
sem resguardos

e por viver o intenso
encurto o tempo
e a vida

Caminhos

Pode haver inúmeros começos
e isso não bastar
Encontrar-se diversas saídas
e de nada aliviar
e são tantas as escolhas!

Escolhas de segundos
que ditam uma vida
e todo o peso da decisão.

Decisão, muitas vezes...
pensada e repensada

Que às vezes é...
sentida e ressentida
Mas sempre determinante.

E sempre o penar
entre o sim e o não estar
dúvida eterna
acerto ou erro
sucesso e fracasso
satisfação ou frustração

E se eu tivesse...
pensamento sempre latente

Confusão e escuridão
e sempre um pé atrás.

Mas de todos os caminhos a se traçar
O único de sentido
é o que se faz com coração.

5.6.06

Capital

Preciso de poesia
Presente em minha vida
Se não a encontro pelos dias
Compro-a em livrarias

Preciso de alguém
Que me dê calor
Se este não vem
Basto-me com o cobertor

Preciso da intensidade das paixões
Mas se esta não tenho
Esqueço
E vivo o que leio

Celebro assim
O consumo, o dinheiro
A comprar tristezas e alegrias
De uma vida que não tenho

Narciso

Se eu fosse alguém
você eu seria
pra você me amar

Nos teus olhos
iria me ver
e feliz ficaria
só de o espelho olhar

Eu seria você
eu seria esta flor
pra mais nada amar

Se eu fosse você
eu iria mudar
mas então seria eu