27.1.08

Como entender o que se sente

Se tantos são os sentimentos

Se ordem não há.


Se razão e sentidos não bastam

Se nada exprimem

Se tudo que sei ser é, confuso


Se o que me move é não óbvio.

Se a ausência ocupa espaço

Como é vazia e plena não sei


Mas existi

E é tão triste

Que fica difícil pensar

Queria só uma imagem,
mas há muito mais.
Queria dizer que viver é simples,
mas tudo é tão diverso.
Queria saber dizer o que quero e sinto
mas complexo é existir.
Que às vezes penso nada saber
Porque tanto e tantas
são as coisas da vida
que por mais que tente sou pequena
e muitos são os caminhos.

19.8.07

Anseio

Os olhos nas ruas caminham
Mas não vêem
Perdidos vagam
dentro do ser
em coisas pensam
que não podem ver

Olhos pregados ao corpo
limite dos desejos
por liberdade anseiam
Para o mundo contemplar

E em lágrimas se banham
Mas só os olhos vêem.

Raizes

As árvores solitárias nas calçadas
Me vêem passar
Sinto sua tristeza e agonia

E eu sempre a passar
No mesmo caminho
Com o mesmo olhar

Elas me reconhecem em si
E eu nelas

Ali não queriam estar
Assim como eu não queria ali passar
Dia após dia

Elas se olham na distância
Pelo homem imposta
Lançam suas sementes
Na esperança de suas vidas povoar
Mas o que há envolta, é só cimento

Elas sonham com florestas
Mas o que recebem é fumaça e chuva ácida

Assim como eu
Sonho com um mundo a contemplar
Mas permaneço meus dias
Nos mesmos lugares
Presa pelas raízes
Do dinheiro da rotina do trabalho

Gente



Somente
A mente inteligente
Mente

Mente de gente
O gentil também mente

Mente de gente
Demente gente
Mente

5.8.07

O Eu

Não temo a morte
a vida muitas vezes é pior que a morte

Morri muitas vezes em vida
em cada amor perdido
em cada noite escura
a cada momento em que me descubro

E tenho que ser
O que jamais fui
Sem saber

Já matei, já fui morta
e muito mais já me suicidei
A renascer
nem melhor ou pior
mas diferente

E tento ser tudo que não sou
pra afirmar a dúvida
pra me perder nos papéis

Não quero a certeza
Temo sua exatidão
Sem caminhos

E sujeita fico a confusão
ao eco da multidão
à vitalidade do tumultuo

Nada do que disse é o que sou
e nada do que penso, é a verdade
mas sim, verdades minhas

Verdades múltiplas
Que se debatem
Ricocheteiam na cabeça

E minha verdade é mutável
E quando não mais for... morri.

7.6.07

Compre! Compre tudo que puder
Esqueça essa coisa de viver
Ganhe! Ganhe sempre mais
é o unico meio de existir

Bombardeios de propaganda
e desejos...
Desejos se inflamam
e pedem por coisas
que não me servem de nada

Entulhem suas casas
é preciso ter
para aumentar o vazio do ser

Compre carros, tv e cerca elétrica
E propague em si a solidão

17.10.06

Filosofia de Bar

Viver nada mais é...
Que beber tudo o que se pode,
Gozar o porre
E suportar a ressaca.

Aos Amigos

Saiba que em mim habita um alguém
Que jamais poderá ter
Porque é feita de música
E se dissipa ao ar

Nem nunca poderá domar
Posto que é vento
Que não se prende aos dedos

Que nem mesmo poderá contar
Ao longo de seus dias
Pois de muitos mundos
É feita sua vida

Mas tenha em si a certeza
Que em ti reside
De que a amizade resiste

E muito é dela a força
Que me leva por estes caminhos

Medo de Amar

Não me derrube
se aos céus quero levar-te
não deixe que o pudor nos destrua

Se de amor foi gerado o mundo
e este tenho a lhe dar

Não me traga o mal
Pois tudo aceito
Vindo de ti

E não mereço
Que o que desconheço
Me fira o peito
E te desfaça em mim

Acredite nas coisas
De descarte no mundo
Então, compreenderá este meu jeito
E não terá razão para este desconcerto

Passos

A vida por mais das vezes contradiz os sonhos
Por onde ir...
De qualquer forma vai ter seu preço
resta saber qual o menor
ou qual a melhor recompensa.

Eu diria os sonhos
mas quantas vezes não tive coragem
quanto não me apoiei na racionalidade
desprovida de sentido ou de paixão.

Viver é algo estranho
e não é fácil, não
um dia os tapas chegarão à cara

E aí meu amigo
é inevitável a desilusão.

Instinto

Senti um frio, não do tempo
Mas da Alma,
Era a morte que se anunciava
Refulgiu num céu de trevas
O que no profundo me habitava
Mas para minha surpresa
Era a vida que por mim clamava.

19.7.06

Vida que segue

Não sei o que a vida espera de mim
Mas o que espero é tanto
Que talvez, muitas vezes, ela se entristeça
Por não poder me atender

Eu me revolto contra ela e
Ainda assim ela continua a se dar

Em desespero, às vezes, atento contra mim
Mas ela se faz presente
E em minhas veias continua a fluir

A vida me ama tanto
E sempre me esqueço
Ela pede a todo instante por mim
E nem sempre atendo

Por mais das vezes, ela clama
Por ser acreditada
Mas meus olhos cegos
Trazem a nós sofrimento

Ainda assim ela se faz forte
E me dá provas, a todo momento
De como querida sou

A cada vez que algo me toca no profundo
Me mostrando seu valor

Quando ela dá uma virada e me faz crer
Que tudo é possível
Que tudo pode mudar

E assim sigo junto a ela
No conforto e desespero de sua companhia.
Hoje andando pela cidade
Me esquecido havia
Das lembranças que a habitam

É porque esta noite me faz romântica
E a bebida me torna poética
Que nem me importo com o que é impróprio
Pois nesta hora tudo se cabe.

O passado é apenas uma palavra
Sem peso ou significado
Porque aqui neste bar
Sou a noite

Sou o sonho que sonha mais do que pode
Mas que ainda assim se faz possível
E chega até a parecer real
Porque dentro de si
há um canto de verdade

E este pouco me basta
Para eu ser este todo que me habita
ainda que múltiplo e facetado

Pois agora é só oque existe
Isto que nem se explica
E nem mesmo se pretende
Apenas existe.

14.6.06

Desilusão

Até que ponto vale?
Aquela que, embora não seja certeza
faz-se esperança?

Talvez boba e ingênua
talvez pura e profunda
Ou tudo e mais

É algo de tão belo que
a questão não é o ponto
e sim o que vale?

A proporção da morte?
O quanto de vida trará?
O ideal não pertence a esta vida!
E me machuca.

Será no fim...
Algo que, no mais um momento?
Uma imagem em construção ruindo

Talvez sim, e este sim não seja tão mal,
mas talvez este mal escureça
e talvez nunca se esqueça
de forma a não mais brilhar

Há olhos porque a luz existe
e de que serve o coração
se o amor não reside?

E se o corpo é só invólucro?
Porque na alma dói?
Porque buscar o sonho
se o conforto vem do real?

E verdadeira questão é...
Por que acredito?
Se tudo já foi desdito?
É por ter pressa.
por não saber esperar,
não as filas ou a qualquer sentido de estância
não suporto sentir o tempo passar

Tudo imediato
sem construções e projeções futuras
o tempo é agora
sem imagens
sem resguardos

e por viver o intenso
encurto o tempo
e a vida

Caminhos

Pode haver inúmeros começos
e isso não bastar
Encontrar-se diversas saídas
e de nada aliviar
e são tantas as escolhas!

Escolhas de segundos
que ditam uma vida
e todo o peso da decisão.

Decisão, muitas vezes...
pensada e repensada

Que às vezes é...
sentida e ressentida
Mas sempre determinante.

E sempre o penar
entre o sim e o não estar
dúvida eterna
acerto ou erro
sucesso e fracasso
satisfação ou frustração

E se eu tivesse...
pensamento sempre latente

Confusão e escuridão
e sempre um pé atrás.

Mas de todos os caminhos a se traçar
O único de sentido
é o que se faz com coração.

5.6.06

Capital

Preciso de poesia
Presente em minha vida
Se não a encontro pelos dias
Compro-a em livrarias

Preciso de alguém
Que me dê calor
Se este não vem
Basto-me com o cobertor

Preciso da intensidade das paixões
Mas se esta não tenho
Esqueço
E vivo o que leio

Celebro assim
O consumo, o dinheiro
A comprar tristezas e alegrias
De uma vida que não tenho

Narciso

Se eu fosse alguém
você eu seria
pra você me amar

Nos teus olhos
iria me ver
e feliz ficaria
só de o espelho olhar

Eu seria você
eu seria esta flor
pra mais nada amar

Se eu fosse você
eu iria mudar
mas então seria eu