9.8.12
Tristeza
25.5.12
De repente a necessidade de sentir
de repente o vazio
algo me deixa oca.
Um sentimento de ausência
meio como uma premonição
não sei o que é ao certo
mas me aperta ao peito
e é apenas mais um dia.
Um dia como outro qualquer
mas que me faz pensar
repensar...
Será que questiono demais a existência
ou seria ela assim
estranha ao sentir
será que é isso mesmo o viver
algo que vem de um modo caótico
conflitante dentro de si.
Ou seria a vida algo mais
que deixei em algum canto
algo que parece uma lembrança
ingênua.
Eu me pergunto se ainda creio nas pessoas
e me vem muitas mágoas
me vem muitas feridas
em quem mais confiei.
E penso se ainda existo dentro delas
talvez não, mas o problema é que...
Eu nunca esqueço!
Eu tive a ilusão de que com o tempo
tudo ficaria mais claro
e no entanto, fica cada vez mais difícil
e sempre o tempo
é curto demais.
Eu gostaria de chegar a um consenso
mas aqui tenho que ir ao encontro da falta de tempo
de um fazer que não é importante
mas que na mente eu creio que tenho que ir.
20.4.11
os sentimentos mais despetalados
que sempre aqui aparecem
mas não acredite ser assim só sofrimento
Há muito mais que caminha aqui dentro
Eu tenho o amor que sempre pulsa no peito
e que também me traz muito contentamento
eu tenho muita sorte em te ter aqui dentro
Mas é tão mais fácil falar das coisas a que se está acostumada
que quando paro pra dizer deste grande sentimento ainda travo
ainda me pergunto
nossa! como posso ter tanto de tão bom aqui dentro?
sem rima nem pretensão
aquela que sempre está a margem
que se desloca e que tem algo que não dá liga.
Isso traz sofrimento, mas também é refúgio
E é tudo que sei ser
eu caminho nela confortável
como quem já muito por ali andou
Eu não a gosto, mas existe um salto
do meu fundo que sempre se joga
e a procuro inconscientemente
É o meu mundo, onde só eu o construo e destruo
como bem entendo
é o bem estar do controle absoluto
e a loucura que pode fluir como bem quiser
É o silêncio atormentado
que traz consigo um sentimento a mais de vida
É o momento em que pensamentos
ganham suas formas mais puras de existir
Pois podem ser o que são
sem as amarras da sociedade
são genuínos
Eles me questionam, e me fazem querer ser algo além
que embora eu não saiba bem o que
me dá um sentimento maior de continuar a viver.
8.4.11
sempre este é meu problema
Eu acredito como criança
nas coisas da vida
que nunca me deram
nenhuma rasão de crer
E me iludo e me afundo
pensando estar a viver
Eu me inundo e desnudo
a ilusão
que não se faz no dia a dia
e no bem querer
E me afundo no diluvio
de me apaixonar sempre
e tantas vezes
e ainda assim padecer
ao ver tudo isso se perder
3.5.10
Nem se saberei dizer o que precisa ouvir
Eu te amo!
Mas isso não faz com que eu atenda a todas suas expectativas
Eu te amo!
E talvez mesmo assim eu te aborreça às vezes
Eu te amo!
E ainda assim em momentos de besteiras
Eu possa a vir a te ferir
E me ferir duplamente por isso
Mas isso tudo sou eu
Desde o melhor que sempre te dedico
Até este eu que tento renegar
Mas que em algumas horas persiste
Sou eu e meu ingênuo desejo de que me aceite
Quase que como um amor maternal
Que nunca desiste
Sou eu e toda a ânsia de reter-me em seus olhos
Este olhar que me presenteia e me homenageia
O seu cuidado que me afaga a todo momento
Não me entregue ao comum
Nem me deixe aqui na espera
É em você que eu me confundo
E é o que espero sempre no amanhã
Eu te amo!
E espero que seja o bastante
22.4.10
não olhemos a vida que caminha
mas os corpos que pulsam
deixe de lado os pensamentos
só sinta, só se deixe tomar
dê um pouco de instinto
ao seu modo de me buscar
não se preocupe com o corrente
somos a noite
que se esquece adentro
fechemos as janelas
em nosso oculto queimar
há muito mais vida aqui dentro
do que o mundo pode te mostrar
me deixe assim
nua por dentro
com este seu jeito de me olhar
sou também o corpo que me habita
sou um pouco do desejo
que me alucina
sou a sua presença
que tanto me faz te amar.
15.4.10
Caetaneando
de quem não tem mais o que mais fazer
eu penso no amor que aqui me chama e reclama
Porque que é tão difícil te dizer
De madrugada lembro a nossa cama
e agora já não está mais aqui
E o tempo nos devora e nos profana
e diz cama,
porque é que é tão difícil sem você
E com você eu me sinto mais inteira
e não me importa o que vão dizer
eu chamo por você a noite inteira
sozinha no meu cobertor de lã.
na mente dos cegos presunçosos.
Erro! Porque evoluo.
Porque me permito tentar.
E de tanto errar, caminho,
alcanço tanto mais
humilde e humana reconheço,
resisto e permaneço
Sou o contra fluxo, por muitas vezes,
mas me valho de suas vantagens.
Caminho livre e estou de passagem.
Absorvo a rotina
mas nunca sou absorvida.
Resisto! Ainda que pague
ou seja destituída
Sou a anti-sociedade.
Aqui não me deslumbro.
Me habita muita alma
pra pouco mundo.
7.4.10
não importa horas, dias, semanas,
tudo é sempre igual
permaneço suspensa
a espera de me dizer algo que me faça levantar
espero seus momentos que me peçam mais
Relembro as noites que não adormecem
em que me toca além do corpo
sou vagante neste mundo sem desejos
e nada parece importar
Eu não preciso de muito
eu posso ficar sem tantas coisas
mas eu preciso de você
E vivo anestesiada
sem tentar te resgatar
mas nas noites o que respiro é você
Eu tenho minha vida, que agora é assim sem graça
eu tenho meu trabalho, que não me satisfaz
eu tenho minhas coisas que são apenas coisas agora
eu tenho você às vezes, e é mais que tudo que construí
e não é minha, sendo
Você não sabe o que sinto aqui na solidão
mas eu não preciso que entenda
só que esteja presente quando tudo se acaba em mim
Não me deixe aqui incompreendida
eu apenas te amo
e em muitas noites como esta
que estou perdida nas lembranças
eu ainda te amo, mais do que podia conceber
eu ainda te sinto nos lençóis em que esteve
e não me diga que não mais vem
eu não saberia pra onde recorrer
Eu estou presa as coisas que colocou em mim,
e que não sei como arrancar e nem mesmo quero
sou sua
como quem reconhece sua derrota
como quem aceita sua sentença
como quem sabe que não dá pra reverter.
Eu sou sua...
3.3.10
Sem sentimento, nem tempo
A vida se escoa
Ali sento, me absorvo
Não vivo, não sinto, não cresço
Sentada ali permaneço
Vazia, sem palavras, só penso
E às vezes nem tempo tenho
Apenas executo
Este é meu preço
Alienada a mim mesma permaneço
Passam as horas sem significado
passam-se muitos momentos
que me abstenho
e nunca hei de mais ter
Passam as pessoas
Que se fogem desta vida
Mas não posso sentir, apenas sigo
Nos dias brancos que se alinham
Estou morta a toda manhã
E morta me mantenho
Me supro, adquiro coisas e envelheço
Uma voz ainda dentro de mim não sucumbiu
E se espanta ao olhar tamanho absurdo
Mas a roda vira
E de manhã mais um dia padeço.
Algo dentro de mim morre e tudo o que desejo
É te arrancar isso tudo,
Mas nem tudo depende de mim
e não posso evitar que o mundo te fira
Quando olho pra nossas vidas
Eu queria ser tão mais
e ter todas as soluções
para não ter nada a te preocupar
Mas os problemas aparecem de qualquer maneira
Fortes sejam nossos sonhos
Que não se sublimem com o tempo
E ainda me encontre em seus olhos
Mesmo que um pouco me ausente
E então espero que sempre acredite
Que possamos lidar com tudo que esteja por vir
Sem se exaustar dos obstáculos que nos apareçam
Pois tudo o que tenho é amor.
Sem jamais saber
Neste encontro vir a selar
O que nem sabia esperar
Eu te vi
Você me olhou
E meus olhos se entregaram
Sem pensar em quanto os ia adorar
E marquei com seus beijos meu peito
E guardei em meu corpo
Mais que seu corpo
Em seu sorriso, a minha paz
Em seu amor, meu escudo
E não há tristeza que te afaste
Eu a guardo sem reter
E a amo sem possuir
E nunca fui tão feliz
E me rendi a sua verdade
Que é repleta de bondade
E se fez em meu orgulho
Hoje é espelho e altar
E onde meu corpo se desfaz
É o momento intenso
E a espera do amanhã
É um pouco de saudade
E toda a realização
E tudo isso porque
Eu te encontrei...
Mesmo que a cada dia ele me adoeça
Eu ainda vejo nas pessoas um lugar de felicidade
Por mais que elas me despetalem e me façam chorar
Eu ainda acredito que a gentileza aproxima
que a bondade contagia
e que os sonhos me levarão a dias melhores.
Eu posso por muitas vezes estar caída
e me sentir destituída, sem pra onde andar
Eu posso ser esquisita e calar muitas coisas a serem ditas
mas não deixo de sentir a cada olhar
E ainda que eu apanhe muito nesta vida
Acredito!
Mesmo que venha a me decepcionar.
Sambinha
De conquistas baratas,
Em seus sonhos sem graça
Eu vou me derramar
Pode se contorcer, pode se desfazer
Deixarei que se embarace
em suas palavras sem alma
Eu vou me deleitar
Nesse seu jeito que diz
Que pouco se mostra
E do muito que cobra
Eu vou me reforçar
Do seu desfazer
do meu muito sofrer
Das suas costas que me mostra
Da sua fala amorosa
Eu vou me renegar
Não adianta buscar, neste mundo um olhar
Que mais tento encontrar
É inútil e vão
E eu vou me regenerar
E não mais acreditar.
8.12.09
A requerir mais atenção
Sentei e ouvi, chorei com ela
Quanta dor no coração
Vem amiga, se recoste em mim
Eu não vou mais te deixar
O abandono eu também sofri
E vamos dele compartilhar
Desculpe a minha ausência
Quis no amor acreditar
Mas agora tenho a ti
sempre perto a me consolar
17.10.09
ter assim, uma alegria ingênua
de quem não sabe o que é sofrer
Eu queria em tudo acreditar
e dizer a mim: VAI, VAI!!!
Como só quem ainda não caiu pode caminhar
Eu queria ser capaz de ver a beleza que tem
sem nenhuma mágoa ou névoa a carregar
E te daria um êxtase de início
Mas eu hoje sou assim
este ser já meio cansado
já um tanto esfacelado
Que não pode de tudo se desprender
Sou o novo, sempre ligado ao velho
e é o que posso te dar
Sou assim feliz com um olhar a pesar
sou o sorriso que derrama uma ponta de tristeza
o entusiasmo contido e desconfiado
Mas luto com tudo isso
para o pleno te dar
e em seu colo me findar
É sempre assim na noite
Palavras vão e pessoas vêm
São como sonhos, que aparecem e se esvaem
Pessoas são imagens nestas passagens
Não há depois, tudo no ar
Pessoas são ventos que atravessam
Acordo e tudo se acabou
Nada se retém
Pessoas são águas e tormentas
Perco-me, me afogo, e me encho
São confusas, são lamentos, são passados
Que se fazem no presente
Pessoas também são alocações decadentes
Querem tudo dizer e tudo mostrar
De um ser que não ali está
Pessoas são manchetes
E tablóides que se vendem
Pessoas...
Lindas, fabulosas e mentirosas
São pessoas e nada mais
Que de nada guardo ou levo
Mas as canções ainda são as suas
Vou em frente, meio sem pensar
Sem querer resgatar
Mas ainda algo me leva a você
Mesmo sem comigo estar
Tenho agora calor
Tenho também ardor
Mas a tristeza me bate
e me leva até a você
E nos vejo sem o mesmo esplendor
Como algo que só ficou na intenção
De um quase amor, que já se findou
Em meus sonhos ainda se parece comigo
E meu quarto ainda é repleto de você
Dentro de mim ainda reside um espaço
Que embora não entenda, existe
E vou embora de você aos poucos
Em um lamento silencioso
De quem parte com o respeito
maior que o próprio ser
2.10.09
Huuuuummmmm...
Também um “que” de lembrança
É uma coisa assim, que ressalta das demais
E é huuummmm...
Que traz em si um tanto de mistério
Aos que ouvem uma indefinição
Que intriga e deixa uma impressão
Que também fala de vontade
E também de satisfação
Revestido de desejo
E tão huuummm...
Sempre em continuação
Monossilábico e vasto
Tem tanto em si a dizer
Este hum, que me vem
Ao resgate na memória de você.
20.9.09
Eu vi...
eu vi também uma certa tristeza
E tanta doçura em seu existir
E ainda há algo muito além
muito mais profundo
e tanto mais sentimento
que sem saber está a exprimir
Eu a vi pairar no ar
numa queda graciosa e leve
E ninguém sabe da sua dor
Eu a vi levar a vida
se desgarrando de rancor
E te reconheço
num explicar sem razão
Eu a vi transmutada na delicadeza
eu vi mesmo que em sonho
a essência da tua natureza
Eu eu nunca a vi.
ainda assim me vejo tão distante
do que de mim mesma anseio
Já não me busco na perfeição
entendi que muito da vida é erro
e conserto ou reconstrução
E sempre existi um, se fosse assim
mas nada evolui sem o questionar
e que muito sou feliz
de nunca vir a me bastar
De que serviria eu continuar?
Se tudo de mim já se fizesse
Que dia viria eu a respirar?
se outros lugares já não quisesse
Assim vivo sempre a me desgostar
Me confundo e me perco
para sempre ter que algo novo a incorporar.
18.9.09
não respiro ou penso
apenas sigo o levar da vida
presa as horas, sempre sem tempo
Muito se vai, se faz, se transforma,
nada vejo, anestesiada na rotina...
Permaneço
Já não eu sinto, nem mesmo lamento
tudo de mim, absorvida
sem sentimento assim desprovida
passam-se dias, horas, meses
e assim nesta lida...
Já me esqueço
Algo acontece no fundo de mim e pouco percebo
nada me transborda
Passam-se pessoas, ventos, momentos
e na corrida destes dias
sou apenas meu sustento
Tudo tão pobre assim nesta hora
que muito de mim me vejo
reflito e me vem muito sofrimento
que só se faz nestes lapsos
onde sou mais...
que apenas um ponteiro do tempo.
20.8.09
que vão e que vêm
e em estilhaços se explodem
que se dissipam, ou não, com o tempo
Alguns se cravam e me rasgam
outros absorvo e me complementam
e se instalam, sem adeus
Se misturam e entrelaçam
a tantos sentimentos
e nada os definem ou separam
A percorrer a vida num só momento
os invejo e tenho medo
Caleidoscópicos
não os decifro ou explico
sinto e penso
Assim se firmam meus pensamentos
fustigam a minha dor
elevam minhas alegrias
reforçam meus lamentos
E tantos são os pensamentos.
18.8.09
E lento é o meu falar
Caminho como o vento que flui
Mas sempre a me arrebatar
Existi em mim tantas
Mas nestas muitas,
sempre sou eu.
Sou engraçada, por vezes, triste
mas sempre atenta
e pronta a ouvir
Muitos são meus defeitos
E muitos, ainda mais, meus erros
mas o bem reside em mim
Minhas rimas, boas ou ruins
ainda que pobres, sentidas
derramam o meu exprimir
Talvez eu ande muito só,
mas é em companhia
que algo me move
que me sinto existir.
Os caminhos a que escolho
muitos se extinguem
E me deixam sem direção
Mas o tempo, é muitas vezes solução
E continuo a prosseguir
Pelas vidas que habito
Que venho a perder
Que me contento, que desfaleço
E pelo muito que penso
A vida continua a fluir.
26.7.09
15.7.09
Abstraio a rotina, a falta de emoção, as noite em vão
Ainda abstraio as pessoas pequenas
Abstraio tudo que agora não consigo
por resgatar a escrever
Abstraio até a mim mesma,
que também sou cheia de problemas
Abstraio na bebida e na ocupação, o tempo
Abstraio tanto que penso ser vaga
mas minto a dizer ser abstração
Tudo ainda é tormento
e só com o esquecimento
encontraria eu a solução.
6.7.09
Alguns problemas, alguns afazeres, e silêncio
Os dias passam... mas o que esperar dos dias,
Os dias são vazios e pálidos como eu
Eu era feliz um dia... Talvez
Tento comprar umas alegrias
mas não tem muita graça
São coisas frias que não movem nada
E eu que sempre sorria...
Tento encontrar pessoas
Que também ficaram frias
E ocupadas estão em seu pensar
Tento sair e uma surpresa da vida vivenciar
Mas as ruas estão sombrias
E prontas a machucar
Encontro o conforto da cama vazia
A me amparar e me abraçar
Sem sentimentos a me consolar
Para o mesmo dia eu começar.
28.6.09
Em meio a cinzeiros cheios amanheço
E caminho, ausente a mim mesma
Vazia e seca levanto
Como sem dia ou noite
Apenas andando permaneço
Lugares que passam
Tudo é só tempo
Mas de ti não esqueço
E me pergunto porque tudo retenho
Se as coisas se vão ao vento
E sei que depois me entristeço
Se não te faço crer
Se meu estar se faz em desânimo
E se na festa do adeus sempre compareço
Feliz mais eu seria sem o querer
Sem encontro ou desencontro
Porque sozinha não permaneço?
Tivesse eu a decisão das horas que sempre só avançam
Tivesse eu um só caminho nada hesitante
Fosse eu simples que tudo pudesse palavras dizer
Mas ainda assim, insisto e sempre desfaleço.
de tentar entender
de buscar respostas nas entrelinhas de você
aguardo seu juizo
como quem aguarda sua sentença
para assim viver ou morrer
Na alegria ou no lamento do seu querer
Nas lembranças doces e cortantes
que deixou no meu viver
Sigo, se assim quiser
Não te esqueço
Não te escarneço
Apenas triste amanheço...
5.6.09
o que não consigo ver
que está nos olhos que aqui me vêem
Sou ainda este eu
este eu que me agrada
e que às vezes odeio
E me faz repensar
fazer e desfazer
e voltar a ser o que fui
o que eu reneguei
Eu abro as portas que ontem fechei
e acredito, como se nunca por ali andei
Deixo-me habitar, e me fazer em festa
sem pensar na bagunça de depois
Eu não sou mais o momento
O centro do seu centro
E em seu carinho ausente
Me calo, imersa em dor
O que me reaviva é o que me volta a morte
Como as ondas que vem e que vão
E que deixam suas marcas desenhadas pelo chão
Minha tristeza se agarra em qualquer coisa de você
E fico sem saber o que fazer para não te perder
Sem saber o que dizer a minha saudade
que reclama sempre um pouquinho mais
Não te digo o que pressinto
pois temo a dor da confirmação
e não quero encarar a separação
Ainda te vejo nos braços meus
desejo que seus beijos ainda sejam meus beijos
e não na dor triste do adeus
Deus queira que seja bobagem o que sinto
Que esteja eu sofrendo em vão
Que tudo não passe de um delírio
Medos tolos de meu coração
9.4.09
Palavras não vêem,
angústia neste inexprimir
que anseio
Tento derramar o que retenho
É inútil, tudo se faz fugir
É tão simples o que desejo
Mas vãs são as palavras no meu construir
Que assim fico em silêncio
A traduzir todo o meu sentir
Sem que nada deste sentimento
Se passe sem se exibir
Pode ter algo de mistério
Em seu tímido existir
Mas tudo que aqui tenho
Monta-se muito mais em meu agir
E se ainda assim, tudo se fizer vago
E nada de mim te mostrar eu conseguir
Que creia nestas poucas palavras
Que dizem pouco do meu muito sentir.
2.4.09
não busque algo de refugio em mim
nem me queira como algo que possa reter
Eu sou um tanto de perdição
sem pretensão, mas sou assim
por algo além do que posso ver
Existe algo de sedução
em meu buscar sem fim
no desejo eterno de padecer
E se sucumbirmos a esta tentação
e se eu vier a te buscar mais que a mim
não me afogue em seu querer
Deixemo-nos sentir esta sensação
e que possamos gozar assim
do que não se pode prever
do que esta por vir
Pois se de repente vier a surgir
e estiver além do querer
como em outra dimensão
A reavivar toda e qualquer emoção
a fazer de crenças o dia a existir
onde me encontro e me deleito a seu querer
e se assim também vier a me sentir
Que vivamos intensamente!
mesmo que em perdição
E se mesmo assim, tudo se desfizer
e for inevitável a separação
Que guardemos as lembranças,
sem devastação
deste amor inesperado
e imortalizado em mim.
14.3.09
Mas eu ainda não dormi nem amanheci, apenas vago
Não sou noite nem dia, sou tão pouco gente
Sou como o vento, que transpassa e assiste ao mundo
Caminho pelas ruas ainda mortas,
habitada por pensamentos
Não estou fora nem estou dentro
Apenas penso, num mesclar sem fim
As coisas que passam a meus olhos
me levam ao fundo de mim
Respiro a cada momento,
cada passo um acontecimento
Mas que começa e se finda em mim
Só eu estou a ver,
apenas eu estou a sentir
Sou eu um mundo, giro, morro e nasço
E ainda sou eu neste mundo todo
Onde não sei existir.
é perder por algum motivo além
por razões e impossibilidades
que estão acima das capacidades
Por piadas que a vida insiste em fazer
e também destinos que caminham ao desfazer
e que por mais forte que se seja
recai a dor do não se ter
Essa noção do pequeno que sou
a consciência do ser limitado
Do real duro e implacável
me deixa triste e só
A frustração do inatingível se monta
E tudo que tenho são palavras e desejos
Contra o sólido e tátil mundo
Sofro o que não tive, nunca cheguei a ter
mas que se fez um bom prenúncio de vir a ser
algo que encanta, em seu imaginar
A mente é tão mais que o corpo
tanto mais é seu poder
tão mais nobre e abdicada
Mas o corpo, Ah, o corpo é querer
E nesta fase de vida eu também sou corpo
o seu tocar eu também sou
e ainda assim sou algo mais
não sou só o desejo
mas este em mim se instala
e anseio por afogá-lo
O que tenho desdenho
o que me foge desejo
e assim vou vivendo
de muito querer
e tão pouco vir a ter
12.3.09
Hoje sou bolha
abandonada em meio ao mar
Não posso fluir,
e demorado é meu emergir
Não posso formas ganhar
o mar está a me comprimir
Estou perdida em sua imensidão
onde tudo é pesado e turvo
Não há luz a que eu possa refletir
nem sons a levar
ou aromas a espalhar
Sou bolha, limitada e isolada
luto para a superfície chegar
neste tempo de reclusão
só me resta a mim e minha solidão.
Definição
A Inquietação impulsiona mudanças
A imaginação transforma realidades
O tempo confronta verdades
Sou um todo disforme que vaga em liberdade
Minha alma é explosão de cores que se sobrepõem
que se harmonizam e se opõem
E assim caminho pelo tempo
Sou como as tintas na tela
que se misturam e se movimentam
a construir e desmontar imagens
Mas o tempo também se cansa
E as tintas secam
Sem vida, movimento ou possibilidades
reduzidas e condenadas a uma só imagem
Existe um momento em que se faz preciso a definição
em que é preciso decidir qual será a imagem a retratar
ou corre-se o risco de se firmar em algo sem expressão
Neutralizada e estática, definida pelo tempo
um dia também eu serei e me questiono
qual será a imagem a que eu resultarei.
9.3.09
Sem palavras...
Não quero pensar
nem ter que ser
ou mesmo parecer
Sim, me abstenho das opiniões
abdico às explicações
deixo o mundo falar por mim
de mim ou seja o que for
Sim, vou ficar indiferente
quero quase inexistir
vou repousar no nulo
onde não tenho que decidir
Que a minha mente hoje está cansada!
E quero cair no esquecimento do meu esquecimento
e viver ainda que por um momento
a calma do vazio e do silêncio.
3.3.09
Cantiga
E embalo cantigas como um trovador
Me encontro em seu brilho solitário e nú
Faço uma serenata mas sem teu amor
Viajo em pensamentos
me sinto sem ter fim
Que faço eu da vida
sou só um sonhador
E quando vejo o mundo fico triste assim
Sou eu tão solitário sem o teu calor
As noites vão se passando e eu fico ruim
E tudo assim se vai, ó Deus sou infeliz
Me perco em sentimentos
que recoam em mim
caminho pela vida
sou apenas um amador
As horas já não passam voltam sempre a ti
tudo se fez amargo sem o teu sabor
Lembranças me maltratam e eu fico ruim
E tudo se desfaz , ó Deus sou infeliz
Brincando pelas horas
eu resgato a ti
Vivendo dos momentos
em que esteve em mim
Se tudo é ilusão não quero nem pensar
Pois tudo em meu peito só vai te buscar
Me volto a este tempo em que fui feliz
E tudo que te peço, Amor volta pra mim
18.2.09
As Ondas
que a todo momento se sobrepõem
em seu avanço e recuo, sempre contínuo
E te vejo chegar e partir
como a areia aos pés do mar
sempre a aguardar o seu vir
Embora muito de ti parta
Sou árida e sedenta
Te absorvo, ainda que fujas de mim
Sua fúria por mais das vezes me arrasta
roubando pedaços de mim
que deixo ir e ir
Mas quando vem mansa
e suavemente me cobre
estou de volta ao ventre
e nada pode me ferir
Danço no seu movimento
me embalo em seu fluxo
e me misturo sem nem mais existir
Estou livre e flutuante
sou eu e você dentro de nós
a mergulhar e emergir
E quando me dou por mim
de volta a seus pés estou
em seu constante chegar e partir
15.2.09
algo de ti persiste
assim, muito sem razão,
sempre presente
numa estranha sensação.
E ainda que no passado...
Sempre te espreita na decisão
sempre num passar, não passante
Algo de esperança simplesmente
que embora ausente
se faz em meu dia presente.
Que mesmo que não dentro
se faz o sentido de meu existir
Num pranto bonito
que se faz maior só por si
Dentro desses momentos e sentimentos
Onde Deus reside, no seu ato desmedido
Onde me encontro e me espelho
em minha incapacidade imensa
Sou eu assim, sem rumo ou destino
tudo bagunço, tudo desvio
mas o bem que busco é real, e imenso
Num existir de paixão,
assim luto, sempre,
numa existência sem padrão,
onde tudo que me diz a alma
é o que sigo sem noção.
E apenas sou eu
assim, frágil,
humana, cheia de emoção.
29.1.09
Só, sozinho, solidão
Móveis, computador, televisão
Só, sozinho, solidão.
Silêncio, ordem, previsão
Segurança, tempo, ocupação
Só, sozinho, solidão.
Trabalho, dinheiro, aquisição
Clausura, certeza, proteção
Só, sozinho, solidão.
Pensamentos, monólogos, divagação
Resguardo, defesa, obstrução
Só, sozinho, solidão...
26.12.08
22.12.08
7.12.08
Ao final
Para que visse
Não há maldade
Não é falsidade
É um não saber ser
É um renascer
Que embora tenha que se perder
Se encontra depois
Não desejo mal
Não ressinto
Não trago mágoas
Só o desejo de reparação
Mas agora
O que tenho é estranho
Difícil de compreensão
Algo distante do que construí
Um agir sem pensar
Um ser sem consciência
Mas na essência
Sou sua
E meu amor esta aqui.
Como tudo veio se resumir num encontro forçado
Num silencio ressentido, onde só a há o vazio
Como o que foi tão bom e bonito
Hoje se faz distante e pesado
Não sei lidar com essa nova situação
Tudo me parece deslocado
E te vejo a cada dia mais longe
Tudo se resumi a decepção
E sofro por essa condição
Eu quero ser tudo o que espera
Mas me sinto sem controle
Eu quero passar por cima de tudo
Mas agora está tão alto
E me pergunto se haverá tempo
Para redimir tudo isso
Se o que foi construído de bom
Será capaz de suplantar o mal
Ainda assim a guardo
No canto mais especial
Ainda que eu te renegue em atitudes
Você é presente
E é a parte mais viva em mim
É o que me faz não desistir
Demais pra mim
Queria ser capaz de ser tão nobre
De ser digna de tais palavras
Mas a vida é mais que palavras e sentimentos
Queria dizer que por cima de tudo passei
Mas só me tirando a vida para assim ser
O que faço com meu ego?!
E como destituir meu ciúmes assim?!
De repente, sem nada ter esperado!
Como anular todo meu orgulho?!
E dizer a mim mesma, adeus brilho próprio!
Como me dizer?!
Vai, vai sem ter pra onde, mas vai
Eu te amo tanto!
Mas não posso ser o que espera de mim
Sou humana
Desculpe!
Te desejo
Te espero
Te quero
Sinto por isso.
Agradecimento
A ti agradeço esses versos
Agradeço ao lirismo que me despertou
As saudades que me deixou
Lembranças doces
Que agora me cortam
Ainda assim a amo
Pelo ser maravilhoso que és
Por toda sua força
Por toda a sua crença
Que ainda que não em mim
Admirável pela persistência
O Tempo
Só o tempo conforma
Reforma
E consola
Só o tempo suplanta
Planta
E replanta
Só o tempo apaga
Repara
E restaura
Só o tempo
Desfaz o momento
Destrói ou confirma sentimentos
Só o tempo para tirar o pequeno
E deixar o coração sereno
Ainda que seja preciso muito tempo
Só o tempo dirá
Só o tempo fará
Só o tempo mostrará.
Leve consigo suas migalhas
Eu fui a sombra deste amor
Fui o tudo e você o nada
O todo dei e nada recebi
Ainda assim sofro
E sinto a dor de algo
que nunca tive
Mas que perdi
Sinto a falta do pouco
que me era tudo
E ainda me pergunto
o que aconteceu
Eu fui o tudo e não bastou
Nada pedi
Mas foi tanto o que quis
E nada me restou
Senão as suas migalhas
Que já não me bastam mais
Vá e seja feliz na sua vida
Faça valer o meu penar
Faça eu crer, que assim, foi melhor
Mas não queira que eu viva destas ruínas
Eu preciso de mais que isso
Ainda, que isso seja a morte para nós
Mas o que é nós hoje
Se não a separação
Ou o silêncio
Um abismo se abre entre nós
E a cada dia é maior
E eu me pergunto como aconteceu
Tudo que vejo é distância e vazio
O profundo que construímos ontem
Nos enterra hoje
E torna tudo superficial
Ainda assim a amo
Num amor sem esperanças
Um amor sem fluxo
Que se represa em si
E ainda assim me pergunto o que aconteceu
E minha memória me castiga
Das lembranças que não posso mais viver
Você é tão majestosa nelas!
Sinto a dor de não poder reter o que passou
Ainda assim, existe tanto de você em mim
Que não sei onde começo ou termino
Já não sei o que é meu ou seu
E a realidade se faz confusa
O desespero e a angústia me tomam
Mas a resposta é desolação
Já não caibo mais em sua vida
E me pergunto o que restou
E todos os dias
me pergunto o que aconteceu...