15.4.10

Caetaneando

É um depoimento de saudade
de quem não tem mais o que mais fazer
eu penso no amor que aqui me chama e reclama

Porque que é tão difícil te dizer

De madrugada lembro a nossa cama
e agora já não está mais aqui

E o tempo nos devora e nos profana
e diz cama,
porque é que é tão difícil sem você

E com você eu me sinto mais inteira
e não me importa o que vão dizer

eu chamo por você a noite inteira
sozinha no meu cobertor de lã.
Perfeição é uma convicção
na mente dos cegos presunçosos.
Erro! Porque evoluo.
Porque me permito tentar.

E de tanto errar, caminho,
alcanço tanto mais
humilde e humana reconheço,
resisto e permaneço

Sou o contra fluxo, por muitas vezes,
mas me valho de suas vantagens.
Caminho livre e estou de passagem.

Absorvo a rotina
mas nunca sou absorvida.
Resisto! Ainda que pague
ou seja destituída

Sou a anti-sociedade.
Aqui não me deslumbro.
Me habita muita alma
pra pouco mundo.

7.4.10

E fico a sua espera
não importa horas, dias, semanas,
tudo é sempre igual
permaneço suspensa
a espera de me dizer algo que me faça levantar
espero seus momentos que me peçam mais

Relembro as noites que não adormecem
em que me toca além do corpo
sou vagante neste mundo sem desejos
e nada parece importar

Eu não preciso de muito
eu posso ficar sem tantas coisas
mas eu preciso de você

E vivo anestesiada
sem tentar te resgatar
mas nas noites o que respiro é você

Eu tenho minha vida, que agora é assim sem graça
eu tenho meu trabalho, que não me satisfaz
eu tenho minhas coisas que são apenas coisas agora
eu tenho você às vezes, e é mais que tudo que construí
e não é minha, sendo

Você não sabe o que sinto aqui na solidão
mas eu não preciso que entenda
só que esteja presente quando tudo se acaba em mim

Não me deixe aqui incompreendida
eu apenas te amo
e em muitas noites como esta
que estou perdida nas lembranças
eu ainda te amo, mais do que podia conceber

eu ainda te sinto nos lençóis em que esteve
e não me diga que não mais vem
eu não saberia pra onde recorrer

Eu estou presa as coisas que colocou em mim,
e que não sei como arrancar e nem mesmo quero
sou sua

como quem reconhece sua derrota
como quem aceita sua sentença
como quem sabe que não dá pra reverter.
Eu sou sua...

3.3.10

Numa realidade estranha
Sem sentimento, nem tempo
A vida se escoa

Ali sento, me absorvo
Não vivo, não sinto, não cresço
Sentada ali permaneço

Vazia, sem palavras, só penso
E às vezes nem tempo tenho
Apenas executo
Este é meu preço

Alienada a mim mesma permaneço
Passam as horas sem significado
passam-se muitos momentos
que me abstenho
e nunca hei de mais ter

Passam as pessoas
Que se fogem desta vida
Mas não posso sentir, apenas sigo
Nos dias brancos que se alinham

Estou morta a toda manhã
E morta me mantenho
Me supro, adquiro coisas e envelheço

Uma voz ainda dentro de mim não sucumbiu
E se espanta ao olhar tamanho absurdo
Mas a roda vira
E de manhã mais um dia padeço.
Quando olho nos teus olhos, e vejo esta tristeza
Algo dentro de mim morre e tudo o que desejo
É te arrancar isso tudo,
Mas nem tudo depende de mim
e não posso evitar que o mundo te fira

Quando olho pra nossas vidas
Eu queria ser tão mais
e ter todas as soluções
para não ter nada a te preocupar
Mas os problemas aparecem de qualquer maneira

Fortes sejam nossos sonhos
Que não se sublimem com o tempo
E ainda me encontre em seus olhos
Mesmo que um pouco me ausente

E então espero que sempre acredite
Que possamos lidar com tudo que esteja por vir
Sem se exaustar dos obstáculos que nos apareçam

Pois tudo o que tenho é amor.
Eu te encontrei...
Sem jamais saber
Neste encontro vir a selar
O que nem sabia esperar

Eu te vi
Você me olhou
E meus olhos se entregaram
Sem pensar em quanto os ia adorar

E marquei com seus beijos meu peito
E guardei em meu corpo
Mais que seu corpo

Em seu sorriso, a minha paz
Em seu amor, meu escudo
E não há tristeza que te afaste

Eu a guardo sem reter
E a amo sem possuir
E nunca fui tão feliz

E me rendi a sua verdade
Que é repleta de bondade
E se fez em meu orgulho

Hoje é espelho e altar
E onde meu corpo se desfaz
É o momento intenso
E a espera do amanhã

É um pouco de saudade
E toda a realização

E tudo isso porque
Eu te encontrei...
Eu olho para a vida e ainda acredito que o mundo é bom
Mesmo que a cada dia ele me adoeça

Eu ainda vejo nas pessoas um lugar de felicidade
Por mais que elas me despetalem e me façam chorar

Eu ainda acredito que a gentileza aproxima
que a bondade contagia
e que os sonhos me levarão a dias melhores.

Eu posso por muitas vezes estar caída
e me sentir destituída, sem pra onde andar

Eu posso ser esquisita e calar muitas coisas a serem ditas
mas não deixo de sentir a cada olhar

E ainda que eu apanhe muito nesta vida
Acredito!
Mesmo que venha a me decepcionar.

Sambinha

Estragarei os seus planos
De conquistas baratas,
Em seus sonhos sem graça

Eu vou me derramar

Pode se contorcer, pode se desfazer
Deixarei que se embarace
em suas palavras sem alma

Eu vou me deleitar

Nesse seu jeito que diz
Que pouco se mostra
E do muito que cobra

Eu vou me reforçar

Do seu desfazer
do meu muito sofrer
Das suas costas que me mostra
Da sua fala amorosa

Eu vou me renegar

Não adianta buscar, neste mundo um olhar
Que mais tento encontrar
É inútil e vão

E eu vou me regenerar
E não mais acreditar.

8.12.09

Hoje a solidão veio a me falar
A requerir mais atenção
Sentei e ouvi, chorei com ela
Quanta dor no coração

Vem amiga, se recoste em mim
Eu não vou mais te deixar
O abandono eu também sofri
E vamos dele compartilhar

Desculpe a minha ausência
Quis no amor acreditar
Mas agora tenho a ti
sempre perto a me consolar
Hoje somos nós abismo
Seladas no silêncio
E ecos trazem sua imagem ausente

Continuo em meu caminhar
Pedaço de mim pelo chão
Quem sabe venha a me buscar

Não há mais o que esperar
Mas dentro de mim
Algo não se desfaz

Patética, olho para trás
Não há nada
Só meus passos arrastados
No peso deste adeus

17.10.09

Eu queria hoje ter a pureza
ter assim, uma alegria ingênua
de quem não sabe o que é sofrer

Eu queria em tudo acreditar
e dizer a mim: VAI, VAI!!!
Como só quem ainda não caiu pode caminhar

Eu queria ser capaz de ver a beleza que tem
sem nenhuma mágoa ou névoa a carregar
E te daria um êxtase de início

Mas eu hoje sou assim
este ser já meio cansado
já um tanto esfacelado

Que não pode de tudo se desprender
Sou o novo, sempre ligado ao velho
e é o que posso te dar

Sou assim feliz com um olhar a pesar
sou o sorriso que derrama uma ponta de tristeza
o entusiasmo contido e desconfiado

Mas luto com tudo isso
para o pleno te dar
e em seu colo me findar
Alguns drinks e algo mais
É sempre assim na noite
Palavras vão e pessoas vêm
São como sonhos, que aparecem e se esvaem

Pessoas são imagens nestas passagens
Não há depois, tudo no ar
Pessoas são ventos que atravessam

Acordo e tudo se acabou
Nada se retém
Pessoas são águas e tormentas

Perco-me, me afogo, e me encho
São confusas, são lamentos, são passados
Que se fazem no presente
Pessoas também são alocações decadentes

Querem tudo dizer e tudo mostrar
De um ser que não ali está
Pessoas são manchetes
E tablóides que se vendem

Pessoas...
Lindas, fabulosas e mentirosas
São pessoas e nada mais
Finjo que passou, que tudo se perdeu
Que de nada guardo ou levo
Mas as canções ainda são as suas

Vou em frente, meio sem pensar
Sem querer resgatar
Mas ainda algo me leva a você
Mesmo sem comigo estar

Tenho agora calor
Tenho também ardor
Mas a tristeza me bate
e me leva até a você

E nos vejo sem o mesmo esplendor
Como algo que só ficou na intenção
De um quase amor, que já se findou

Em meus sonhos ainda se parece comigo
E meu quarto ainda é repleto de você
Dentro de mim ainda reside um espaço
Que embora não entenda, existe

E vou embora de você aos poucos
Em um lamento silencioso
De quem parte com o respeito
maior que o próprio ser

2.10.09

Huuuuummmmm...

Este hum, tem algo de gostoso em si
Também um “que” de lembrança
É uma coisa assim, que ressalta das demais
E é huuummmm...

Que traz em si um tanto de mistério
Aos que ouvem uma indefinição
Que intriga e deixa uma impressão

Que também fala de vontade
E também de satisfação
Revestido de desejo
E tão huuummm...
Sempre em continuação

Monossilábico e vasto
Tem tanto em si a dizer
Este hum, que me vem
Ao resgate na memória de você.

20.9.09

Eu vi...

Eu vi algo de beleza
eu vi também uma certa tristeza
E tanta doçura em seu existir

E ainda há algo muito além
muito mais profundo
e tanto mais sentimento
que sem saber está a exprimir

Eu a vi pairar no ar
numa queda graciosa e leve
E ninguém sabe da sua dor

Eu a vi levar a vida
se desgarrando de rancor

E te reconheço
num explicar sem razão

Eu a vi transmutada na delicadeza
eu vi mesmo que em sonho
a essência da tua natureza

Eu eu nunca a vi.
Sou o melhor que pude fazer de mim
ainda assim me vejo tão distante
do que de mim mesma anseio

Já não me busco na perfeição
entendi que muito da vida é erro
e conserto ou reconstrução

E sempre existi um, se fosse assim
mas nada evolui sem o questionar
e que muito sou feliz
de nunca vir a me bastar

De que serviria eu continuar?
Se tudo de mim já se fizesse
Que dia viria eu a respirar?
se outros lugares já não quisesse

Assim vivo sempre a me desgostar
Me confundo e me perco
para sempre ter que algo novo a incorporar.

18.9.09

A muito tempo aqui não sento,
não respiro ou penso
apenas sigo o levar da vida
presa as horas, sempre sem tempo

Muito se vai, se faz, se transforma,
nada vejo, anestesiada na rotina...
Permaneço

Já não eu sinto, nem mesmo lamento
tudo de mim, absorvida
sem sentimento assim desprovida
passam-se dias, horas, meses
e assim nesta lida...
Já me esqueço

Algo acontece no fundo de mim e pouco percebo
nada me transborda
Passam-se pessoas, ventos, momentos
e na corrida destes dias
sou apenas meu sustento

Tudo tão pobre assim nesta hora
que muito de mim me vejo
reflito e me vem muito sofrimento
que só se faz nestes lapsos
onde sou mais...
que apenas um ponteiro do tempo.

20.8.09

Fragmentos de pensamentos
que vão e que vêm
e em estilhaços se explodem
que se dissipam, ou não, com o tempo

Alguns se cravam e me rasgam
outros absorvo e me complementam
e se instalam, sem adeus

Se misturam e entrelaçam
a tantos sentimentos
e nada os definem ou separam

A percorrer a vida num só momento
os invejo e tenho medo

Caleidoscópicos
não os decifro ou explico
sinto e penso

Assim se firmam meus pensamentos
fustigam a minha dor
elevam minhas alegrias
reforçam meus lamentos

E tantos são os pensamentos.

18.8.09

Sou tênue, sou branda
E lento é o meu falar
Caminho como o vento que flui
Mas sempre a me arrebatar

Existi em mim tantas
Mas nestas muitas,
sempre sou eu.

Sou engraçada, por vezes, triste
mas sempre atenta
e pronta a ouvir

Muitos são meus defeitos
E muitos, ainda mais, meus erros
mas o bem reside em mim

Minhas rimas, boas ou ruins
ainda que pobres, sentidas
derramam o meu exprimir

Talvez eu ande muito só,
mas é em companhia
que algo me move
que me sinto existir.

Os caminhos a que escolho
muitos se extinguem
E me deixam sem direção
Mas o tempo, é muitas vezes solução
E continuo a prosseguir

Pelas vidas que habito
Que venho a perder
Que me contento, que desfaleço
E pelo muito que penso
A vida continua a fluir.

26.7.09

Sempre só
a viver em meu desfazer
aprendendo sem querer a ser só

Assim vou por aí
em meu caminho tão só meu
sem muito mais a dar

Adormecida assim sigo
em meu porão sombrio
sem nada a habitar


15.7.09

Tô abstraindo o tédio, a solidão, uma existência sem razão
Abstraio a rotina, a falta de emoção, as noite em vão
Ainda abstraio as pessoas pequenas

Abstraio tudo que agora não consigo
por resgatar a escrever

Abstraio até a mim mesma,
que também sou cheia de problemas

Abstraio na bebida e na ocupação, o tempo

Abstraio tanto que penso ser vaga
mas minto a dizer ser abstração

Tudo ainda é tormento
e só com o esquecimento
encontraria eu a solução.

6.7.09

Vazio, cansaço e coisas que me trazem aborrecimentos
Alguns problemas, alguns afazeres, e silêncio

Os dias passam... mas o que esperar dos dias,
Os dias são vazios e pálidos como eu
Eu era feliz um dia... Talvez

Tento comprar umas alegrias
mas não tem muita graça
São coisas frias que não movem nada
E eu que sempre sorria...

Tento encontrar pessoas
Que também ficaram frias
E ocupadas estão em seu pensar

Tento sair e uma surpresa da vida vivenciar
Mas as ruas estão sombrias
E prontas a machucar

Encontro o conforto da cama vazia
A me amparar e me abraçar
Sem sentimentos a me consolar
Para o mesmo dia eu começar.

28.6.09

Entre latas vazias padeço
Em meio a cinzeiros cheios amanheço
E caminho, ausente a mim mesma

Vazia e seca levanto
Como sem dia ou noite
Apenas andando permaneço

Lugares que passam
Tudo é só tempo
Mas de ti não esqueço

E me pergunto porque tudo retenho
Se as coisas se vão ao vento
E sei que depois me entristeço

Se não te faço crer
Se meu estar se faz em desânimo
E se na festa do adeus sempre compareço

Feliz mais eu seria sem o querer
Sem encontro ou desencontro
Porque sozinha não permaneço?

Tivesse eu a decisão das horas que sempre só avançam
Tivesse eu um só caminho nada hesitante
Fosse eu simples que tudo pudesse palavras dizer
Mas ainda assim, insisto e sempre desfaleço.
Cansei de pensar
de tentar entender
de buscar respostas nas entrelinhas de você

aguardo seu juizo
como quem aguarda sua sentença
para assim viver ou morrer

Na alegria ou no lamento do seu querer
Nas lembranças doces e cortantes
que deixou no meu viver

Sigo, se assim quiser
Não te esqueço
Não te escarneço

Apenas triste amanheço...

5.6.09

Eu não posso ser o que nem sei
o que não consigo ver
que está nos olhos que aqui me vêem

Sou ainda este eu
este eu que me agrada
e que às vezes odeio

E me faz repensar
fazer e desfazer
e voltar a ser o que fui
o que eu reneguei

Eu abro as portas que ontem fechei
e acredito, como se nunca por ali andei
Deixo-me habitar, e me fazer em festa
sem pensar na bagunça de depois

Eu não sou mais o momento
O centro do seu centro
E em seu carinho ausente
Me calo, imersa em dor

O que me reaviva é o que me volta a morte
Como as ondas que vem e que vão
E que deixam suas marcas desenhadas pelo chão

Minha tristeza se agarra em qualquer coisa de você
E fico sem saber o que fazer para não te perder
Sem saber o que dizer a minha saudade
que reclama sempre um pouquinho mais

Não te digo o que pressinto
pois temo a dor da confirmação
e não quero encarar a separação

Ainda te vejo nos braços meus
desejo que seus beijos ainda sejam meus beijos
e não na dor triste do adeus

Deus queira que seja bobagem o que sinto
Que esteja eu sofrendo em vão
Que tudo não passe de um delírio
Medos tolos de meu coração

9.4.09

Bloqueio, é tudo que tenho
Palavras não vêem,
angústia neste inexprimir
que anseio

Tento derramar o que retenho
É inútil, tudo se faz fugir
É tão simples o que desejo
Mas vãs são as palavras no meu construir

Que assim fico em silêncio
A traduzir todo o meu sentir
Sem que nada deste sentimento
Se passe sem se exibir

Pode ter algo de mistério
Em seu tímido existir
Mas tudo que aqui tenho
Monta-se muito mais em meu agir

E se ainda assim, tudo se fizer vago
E nada de mim te mostrar eu conseguir
Que creia nestas poucas palavras
Que dizem pouco do meu muito sentir.

2.4.09

Não pense que serei a salvação
não busque algo de refugio em mim
nem me queira como algo que possa reter

Eu sou um tanto de perdição
sem pretensão, mas sou assim
por algo além do que posso ver

Existe algo de sedução
em meu buscar sem fim
no desejo eterno de padecer

E se sucumbirmos a esta tentação
e se eu vier a te buscar mais que a mim
não me afogue em seu querer

Deixemo-nos sentir esta sensação
e que possamos gozar assim
do que não se pode prever
do que esta por vir

Pois se de repente vier a surgir
e estiver além do querer
como em outra dimensão

A reavivar toda e qualquer emoção
a fazer de crenças o dia a existir
onde me encontro e me deleito a seu querer
e se assim também vier a me sentir

Que vivamos intensamente!
mesmo que em perdição

E se mesmo assim, tudo se desfizer
e for inevitável a separação

Que guardemos as lembranças,
sem devastação
deste amor inesperado
e imortalizado em mim.

14.3.09

O dia amanhece, aos poucos tudo vai ganhando nitidez
Mas eu ainda não dormi nem amanheci, apenas vago
Não sou noite nem dia, sou tão pouco gente
Sou como o vento, que transpassa e assiste ao mundo

Caminho pelas ruas ainda mortas,
habitada por pensamentos
Não estou fora nem estou dentro
Apenas penso, num mesclar sem fim
As coisas que passam a meus olhos
me levam ao fundo de mim

Respiro a cada momento,
cada passo um acontecimento
Mas que começa e se finda em mim
Só eu estou a ver,
apenas eu estou a sentir

Sou eu um mundo, giro, morro e nasço
E ainda sou eu neste mundo todo
Onde não sei existir.
Pior que perder por erros alguém,
é perder por algum motivo além
por razões e impossibilidades
que estão acima das capacidades

Por piadas que a vida insiste em fazer
e também destinos que caminham ao desfazer
e que por mais forte que se seja
recai a dor do não se ter

Essa noção do pequeno que sou
a consciência do ser limitado
Do real duro e implacável
me deixa triste e só

A frustração do inatingível se monta
E tudo que tenho são palavras e desejos
Contra o sólido e tátil mundo

Sofro o que não tive, nunca cheguei a ter
mas que se fez um bom prenúncio de vir a ser
algo que encanta, em seu imaginar

A mente é tão mais que o corpo
tanto mais é seu poder
tão mais nobre e abdicada
Mas o corpo, Ah, o corpo é querer

E nesta fase de vida eu também sou corpo
o seu tocar eu também sou
e ainda assim sou algo mais
não sou só o desejo
mas este em mim se instala
e anseio por afogá-lo

O que tenho desdenho
o que me foge desejo
e assim vou vivendo

de muito querer
e tão pouco vir a ter

12.3.09

Nasci sopro de vento
Hoje sou bolha
abandonada em meio ao mar

Não posso fluir,
e demorado é meu emergir
Não posso formas ganhar
o mar está a me comprimir

Estou perdida em sua imensidão
onde tudo é pesado e turvo

Não há luz a que eu possa refletir
nem sons a levar
ou aromas a espalhar

Sou bolha, limitada e isolada
luto para a superfície chegar
neste tempo de reclusão
só me resta a mim e minha solidão.
Insisto em me esgotar em meus pensamentos,
me desgasto, me atormento, mas não me basto
até destrinchar todo e qualquer pensamento.

Definição

A Indefinição sustenta possibilidades
A Inquietação impulsiona mudanças
A imaginação transforma realidades
O tempo confronta verdades

Sou um todo disforme que vaga em liberdade
Minha alma é explosão de cores que se sobrepõem
que se harmonizam e se opõem
E assim caminho pelo tempo

Sou como as tintas na tela
que se misturam e se movimentam
a construir e desmontar imagens

Mas o tempo também se cansa
E as tintas secam
Sem vida, movimento ou possibilidades
reduzidas e condenadas a uma só imagem

Existe um momento em que se faz preciso a definição
em que é preciso decidir qual será a imagem a retratar
ou corre-se o risco de se firmar em algo sem expressão

Neutralizada e estática, definida pelo tempo
um dia também eu serei e me questiono
qual será a imagem a que eu resultarei.

9.3.09

Sofre mente
em seu pensamento em dor

Sem palavras...

Não quero ter que dizer nada!

Não quero pensar
nem ter que ser
ou mesmo parecer

Sim, me abstenho das opiniões
abdico às explicações
deixo o mundo falar por mim
de mim ou seja o que for

Sim, vou ficar indiferente
quero quase inexistir
vou repousar no nulo
onde não tenho que decidir

Que a minha mente hoje está cansada!

E quero cair no esquecimento do meu esquecimento
e viver ainda que por um momento
a calma do vazio e do silêncio.

3.3.09

Cantiga

Eu vejo a Lua mansa caminhar no céu
E embalo cantigas como um trovador
Me encontro em seu brilho solitário e nú
Faço uma serenata mas sem teu amor

Viajo em pensamentos
me sinto sem ter fim
Que faço eu da vida
sou só um sonhador

E quando vejo o mundo fico triste assim
Sou eu tão solitário sem o teu calor
As noites vão se passando e eu fico ruim
E tudo assim se vai, ó Deus sou infeliz

Me perco em sentimentos
que recoam em mim
caminho pela vida
sou apenas um amador

As horas já não passam voltam sempre a ti
tudo se fez amargo sem o teu sabor
Lembranças me maltratam e eu fico ruim
E tudo se desfaz , ó Deus sou infeliz

Brincando pelas horas
eu resgato a ti
Vivendo dos momentos
em que esteve em mim

Se tudo é ilusão não quero nem pensar
Pois tudo em meu peito só vai te buscar
Me volto a este tempo em que fui feliz
E tudo que te peço, Amor volta pra mim

18.2.09

As Ondas

Os recuos da vida deixam marcas
que a todo momento se sobrepõem
em seu avanço e recuo, sempre contínuo

E te vejo chegar e partir
como a areia aos pés do mar
sempre a aguardar o seu vir

Embora muito de ti parta
Sou árida e sedenta
Te absorvo, ainda que fujas de mim

Sua fúria por mais das vezes me arrasta
roubando pedaços de mim
que deixo ir e ir

Mas quando vem mansa
e suavemente me cobre
estou de volta ao ventre
e nada pode me ferir

Danço no seu movimento
me embalo em seu fluxo
e me misturo sem nem mais existir

Estou livre e flutuante
sou eu e você dentro de nós
a mergulhar e emergir

E quando me dou por mim
de volta a seus pés estou
em seu constante chegar e partir

15.2.09

Dentro dos muitos momentos em que existo
algo de ti persiste
assim, muito sem razão,
sempre presente
numa estranha sensação.

E ainda que no passado...
Sempre te espreita na decisão
sempre num passar, não passante

Algo de esperança simplesmente
que embora ausente
se faz em meu dia presente.

Que mesmo que não dentro
se faz o sentido de meu existir
Num pranto bonito
que se faz maior só por si

Dentro desses momentos e sentimentos
Onde Deus reside, no seu ato desmedido
Onde me encontro e me espelho
em minha incapacidade imensa

Sou eu assim, sem rumo ou destino
tudo bagunço, tudo desvio
mas o bem que busco é real, e imenso

Num existir de paixão,
assim luto, sempre,
numa existência sem padrão,
onde tudo que me diz a alma
é o que sigo sem noção.

E apenas sou eu
assim, frágil,
humana, cheia de emoção.

29.1.09

Só, sozinho, solidão

Paredes, teto, chão
Móveis, computador, televisão
Só, sozinho, solidão.

Silêncio, ordem, previsão
Segurança, tempo, ocupação
Só, sozinho, solidão.

Trabalho, dinheiro, aquisição
Clausura, certeza, proteção
Só, sozinho, solidão.

Pensamentos, monólogos, divagação
Resguardo, defesa, obstrução
Só, sozinho, solidão...

26.12.08

22.12.08

Da janela do ônibus tudo passa
e sentada permaneço
A janela me traz sofrimento
com seu passar constante

Às vezes choro, às vezes penso
às vezes me esqueço nesse seu passar

Ela me lembra do tempo
das coisas que já não são
do que já mais não tenho

Ela me mostra o meu momento
que passa e passa
e ali permaneço.

7.12.08

Ao final

Queria poder me rasgar
Para que visse
Não há maldade

Não é falsidade
É um não saber ser

É um renascer
Que embora tenha que se perder
Se encontra depois

Não desejo mal
Não ressinto
Não trago mágoas

Só o desejo de reparação
Mas agora
O que tenho é estranho
Difícil de compreensão

Algo distante do que construí
Um agir sem pensar
Um ser sem consciência

Mas na essência
Sou sua
E meu amor esta aqui.
Não consigo entender como nos tornamos isso
Como tudo veio se resumir num encontro forçado
Num silencio ressentido, onde só a há o vazio

Como o que foi tão bom e bonito
Hoje se faz distante e pesado

Não sei lidar com essa nova situação
Tudo me parece deslocado
E te vejo a cada dia mais longe

Tudo se resumi a decepção
E sofro por essa condição

Eu quero ser tudo o que espera
Mas me sinto sem controle

Eu quero passar por cima de tudo
Mas agora está tão alto

E me pergunto se haverá tempo
Para redimir tudo isso
Se o que foi construído de bom
Será capaz de suplantar o mal

Ainda assim a guardo
No canto mais especial
Ainda que eu te renegue em atitudes
Você é presente
E é a parte mais viva em mim

É o que me faz não desistir

Demais pra mim

Queria merecer
Queria ser capaz de ser tão nobre
De ser digna de tais palavras

Mas a vida é mais que palavras e sentimentos

Queria dizer que por cima de tudo passei
Mas só me tirando a vida para assim ser

O que faço com meu ego?!
E como destituir meu ciúmes assim?!
De repente, sem nada ter esperado!

Como anular todo meu orgulho?!
E dizer a mim mesma, adeus brilho próprio!

Como me dizer?!
Vai, vai sem ter pra onde, mas vai

Eu te amo tanto!
Mas não posso ser o que espera de mim
Sou humana
Desculpe!

Te desejo
Te espero
Te quero

Sinto por isso.

Agradecimento

A ti agradeço esses versos

Agradeço ao lirismo que me despertou

As saudades que me deixou


Lembranças doces

Que agora me cortam

Ainda assim a amo


Pelo ser maravilhoso que és

Por toda sua força

Por toda a sua crença


Que ainda que não em mim

Admirável pela persistência

O Tempo

Só o tempo conforma

Reforma

E consola


Só o tempo suplanta

Planta

E replanta


Só o tempo apaga

Repara

E restaura


Só o tempo

Desfaz o momento

Destrói ou confirma sentimentos


Só o tempo para tirar o pequeno

E deixar o coração sereno

Ainda que seja preciso muito tempo


Só o tempo dirá

Só o tempo fará

Só o tempo mostrará.

Leve consigo suas migalhas

Eu fui a sombra deste amor

Fui o tudo e você o nada

O todo dei e nada recebi


Ainda assim sofro

E sinto a dor de algo

que nunca tive

Mas que perdi


Sinto a falta do pouco

que me era tudo

E ainda me pergunto

o que aconteceu


Eu fui o tudo e não bastou

Nada pedi

Mas foi tanto o que quis

E nada me restou


Senão as suas migalhas

Que já não me bastam mais


Vá e seja feliz na sua vida

Faça valer o meu penar

Faça eu crer, que assim, foi melhor


Mas não queira que eu viva destas ruínas

Eu preciso de mais que isso

Ainda, que isso seja a morte para nós


Mas o que é nós hoje

Se não a separação

Ou o silêncio


Um abismo se abre entre nós

E a cada dia é maior

E eu me pergunto como aconteceu


Tudo que vejo é distância e vazio

O profundo que construímos ontem

Nos enterra hoje

E torna tudo superficial


Ainda assim a amo

Num amor sem esperanças

Um amor sem fluxo

Que se represa em si

E ainda assim me pergunto o que aconteceu


E minha memória me castiga

Das lembranças que não posso mais viver

Você é tão majestosa nelas!


Sinto a dor de não poder reter o que passou

Ainda assim, existe tanto de você em mim

Que não sei onde começo ou termino

Já não sei o que é meu ou seu

E a realidade se faz confusa


O desespero e a angústia me tomam

Mas a resposta é desolação

Já não caibo mais em sua vida

E me pergunto o que restou


E todos os dias

me pergunto o que aconteceu...

7.11.08

Prefiro a não propaganda

Surpreender a decepcionar
Ter a mostrar do que desculpar
Adicionar do que deixar a desejar

Essência mais que aparência
A suposição não é o ser
Não existe o ser
Mas o estar

Costumo ser assim
mas sei ser muitas
respondo a ações
por mais das vezes

Não estou morta
por isso mudo
Interação sempre
e ainda sou eu
com tudo que me adicionaram

Não desperdiço palavras
não quero ecos
mas sim propagação

Ainda assim sou humana
e erro sempre
e nem por isso me findo

Perco, é verdade
mas ganho nas vivências
sempre diversas

Sempre a seguir
não sei se melhor ou pior
mas seguindo

Enriqueço pelos caminhos
pelas vidas que me cruzam
pelos eus que me descubro.

27.1.08

Como entender o que se sente

Se tantos são os sentimentos

Se ordem não há.


Se razão e sentidos não bastam

Se nada exprimem

Se tudo que sei ser é, confuso


Se o que me move é não óbvio.

Se a ausência ocupa espaço

Como é vazia e plena não sei


Mas existi

E é tão triste

Que fica difícil pensar

Queria só uma imagem,
mas há muito mais.
Queria dizer que viver é simples,
mas tudo é tão diverso.
Queria saber dizer o que quero e sinto
mas complexo é existir.
Que às vezes penso nada saber
Porque tanto e tantas
são as coisas da vida
que por mais que tente sou pequena
e muitos são os caminhos.

19.8.07

Anseio

Os olhos nas ruas caminham
Mas não vêem
Perdidos vagam
dentro do ser
em coisas pensam
que não podem ver

Olhos pregados ao corpo
limite dos desejos
por liberdade anseiam
Para o mundo contemplar

E em lágrimas se banham
Mas só os olhos vêem.

Raizes

As árvores solitárias nas calçadas
Me vêem passar
Sinto sua tristeza e agonia

E eu sempre a passar
No mesmo caminho
Com o mesmo olhar

Elas me reconhecem em si
E eu nelas

Ali não queriam estar
Assim como eu não queria ali passar
Dia após dia

Elas se olham na distância
Pelo homem imposta
Lançam suas sementes
Na esperança de suas vidas povoar
Mas o que há envolta, é só cimento

Elas sonham com florestas
Mas o que recebem é fumaça e chuva ácida

Assim como eu
Sonho com um mundo a contemplar
Mas permaneço meus dias
Nos mesmos lugares
Presa pelas raízes
Do dinheiro da rotina do trabalho

Gente



Somente
A mente inteligente
Mente

Mente de gente
O gentil também mente

Mente de gente
Demente gente
Mente

5.8.07

O Eu

Não temo a morte
a vida muitas vezes é pior que a morte

Morri muitas vezes em vida
em cada amor perdido
em cada noite escura
a cada momento em que me descubro

E tenho que ser
O que jamais fui
Sem saber

Já matei, já fui morta
e muito mais já me suicidei
A renascer
nem melhor ou pior
mas diferente

E tento ser tudo que não sou
pra afirmar a dúvida
pra me perder nos papéis

Não quero a certeza
Temo sua exatidão
Sem caminhos

E sujeita fico a confusão
ao eco da multidão
à vitalidade do tumultuo

Nada do que disse é o que sou
e nada do que penso, é a verdade
mas sim, verdades minhas

Verdades múltiplas
Que se debatem
Ricocheteiam na cabeça

E minha verdade é mutável
E quando não mais for... morri.

7.6.07

Compre! Compre tudo que puder
Esqueça essa coisa de viver
Ganhe! Ganhe sempre mais
é o unico meio de existir

Bombardeios de propaganda
e desejos...
Desejos se inflamam
e pedem por coisas
que não me servem de nada

Entulhem suas casas
é preciso ter
para aumentar o vazio do ser

Compre carros, tv e cerca elétrica
E propague em si a solidão

17.10.06

Filosofia de Bar

Viver nada mais é...
Que beber tudo o que se pode,
Gozar o porre
E suportar a ressaca.

Aos Amigos

Saiba que em mim habita um alguém
Que jamais poderá ter
Porque é feita de música
E se dissipa ao ar

Nem nunca poderá domar
Posto que é vento
Que não se prende aos dedos

Que nem mesmo poderá contar
Ao longo de seus dias
Pois de muitos mundos
É feita sua vida

Mas tenha em si a certeza
Que em ti reside
De que a amizade resiste

E muito é dela a força
Que me leva por estes caminhos

Medo de Amar

Não me derrube
se aos céus quero levar-te
não deixe que o pudor nos destrua

Se de amor foi gerado o mundo
e este tenho a lhe dar

Não me traga o mal
Pois tudo aceito
Vindo de ti

E não mereço
Que o que desconheço
Me fira o peito
E te desfaça em mim

Acredite nas coisas
De descarte no mundo
Então, compreenderá este meu jeito
E não terá razão para este desconcerto

Passos

A vida por mais das vezes contradiz os sonhos
Por onde ir...
De qualquer forma vai ter seu preço
resta saber qual o menor
ou qual a melhor recompensa.

Eu diria os sonhos
mas quantas vezes não tive coragem
quanto não me apoiei na racionalidade
desprovida de sentido ou de paixão.

Viver é algo estranho
e não é fácil, não
um dia os tapas chegarão à cara

E aí meu amigo
é inevitável a desilusão.

Instinto

Senti um frio, não do tempo
Mas da Alma,
Era a morte que se anunciava
Refulgiu num céu de trevas
O que no profundo me habitava
Mas para minha surpresa
Era a vida que por mim clamava.

19.7.06

Vida que segue

Não sei o que a vida espera de mim
Mas o que espero é tanto
Que talvez, muitas vezes, ela se entristeça
Por não poder me atender

Eu me revolto contra ela e
Ainda assim ela continua a se dar

Em desespero, às vezes, atento contra mim
Mas ela se faz presente
E em minhas veias continua a fluir

A vida me ama tanto
E sempre me esqueço
Ela pede a todo instante por mim
E nem sempre atendo

Por mais das vezes, ela clama
Por ser acreditada
Mas meus olhos cegos
Trazem a nós sofrimento

Ainda assim ela se faz forte
E me dá provas, a todo momento
De como querida sou

A cada vez que algo me toca no profundo
Me mostrando seu valor

Quando ela dá uma virada e me faz crer
Que tudo é possível
Que tudo pode mudar

E assim sigo junto a ela
No conforto e desespero de sua companhia.
Hoje andando pela cidade
Me esquecido havia
Das lembranças que a habitam

É porque esta noite me faz romântica
E a bebida me torna poética
Que nem me importo com o que é impróprio
Pois nesta hora tudo se cabe.

O passado é apenas uma palavra
Sem peso ou significado
Porque aqui neste bar
Sou a noite

Sou o sonho que sonha mais do que pode
Mas que ainda assim se faz possível
E chega até a parecer real
Porque dentro de si
há um canto de verdade

E este pouco me basta
Para eu ser este todo que me habita
ainda que múltiplo e facetado

Pois agora é só oque existe
Isto que nem se explica
E nem mesmo se pretende
Apenas existe.